Vamos falar de relacionamentos?

Críticas e elogios sempre vão existir. Se isentos de interesse, não sei. Talvez um punhado deles. Mas, o certo é que cada um experimenta o real do seu jeito único. Podemos ter filtros parecidos e sintonia nas percepções da tal coisa. Podemos – ambos – achar que foi boa, ou ruim, por determinados e parecidos motivos. Acontece, e muito. E vai ter alguém que experimentou a mesma coisa de um outro jeito, antagônico e desvinculado de  qualquer outra opinião. E também pode ser que justo essa tal pessoa tenha uma voz de longo alcance, seja formadora da opinião de muitos. E encontre eco, passando adiante sua percepção.

Hoje, [tá bom, há muito tempo…] leio sobre marcas que convidam blogueiros a testar determinado produto, serviço ou mesmo evento, em troca de sua opinião a respeito. Antes, essa prática estava restrita aos profissionais diplomados e com carteira assinada em alguns dos mais renomados veículos de difusão. Algum problema em relação a isso? Por mim, nenhum. Quando minha tia-avó fazia algo gostoso e dava para a vizinha uma pequena porção, ela não só queria a opinião da amiga, mas também que essa falasse de suas façanhas na cozinha para outras velhotas no clube da igreja. Propagar sua dedicação como vizinha, amiga, cozinheira. E ganhar fama. Isso já aconteceu antes, com certeza, e deve ter começado quando algum homem da caverna caçou um mastodonte e mostrou para o vizinho…

A novidade aqui, se é que ela existe, é a mesma que muitas outras pessoas, que leram os primeiros jornais do passado, tiveram ao ler um distinto senhor comentar em sua coluna que o produto X lhe fazia muito bem. Ou mal. Na verdade, não importa.

Estamos lidando com marcas, produtos e serviços? NÃO! Estamos lidando com pessoas. E suas experiências. Estamos em busca do brilho no olhar do consumidor. E, para isso, vamos usar o que for possível, fazer o necessário. Mas não podemos mascarar, fingir ser algo diferente do que somos.

Se para espalhar nossos conceitos, planejamos ações de marketing e convidamos blogueiros, jornalistas ou donas de casa para descreverem suas singulares experiências a respeito, ponto para nós.

O que não podemos esquecer é que muitos outros consumidores passarão por essa mesma experiência. E hoje eles têm ferramentas para compartilhar o que quer que seja. E de nada adiantam cinco ou cem pessoas compartilhando fotos, sentimentos, argumentos positivos, se outros tantos percebem a mesma coisa de forma tão oposta. Há algo errado.

E a culpa não é de quem está vendo ou vivendo o lado bom…

Para mostrar o que falo, dou um exemplo hipotético: a marca X patrocina o evento Y e convida A, B, C e D para uma noite inesquecível na área VIP, com direito a tudo que os mortais comuns nem imaginam. Eu, Biattrix, sou o tal B convidado, e vou falar da minha experiência. Embora eu possa detalhar fielmente as instalações e cenários, descrever as bebidas e comidinhas servidas, o cuidado profissional da marca X na ambientação, a qualificação fica a cargo dos meus filtros. Aí eu digo da atenção e presteza da hostess na hora de cuidar de uma reclamação qualquer. Ou de como os seguranças eram educados. Ou ainda da organização impecável. Porque só eu posso qualificar o que me acontece. Enquanto isso, fora do mundo olímpico, Zé tenta equilibrar um chopp aguado, andando com dificuldades no meio de uma multidão suada. Ainda assim, Zé está feliz porque o evento é muito bom. Os banheiros são horríveis. O som não é lá essas coisas. Podia ser melhor. Mas, vai lá, né? O contingente do staff não daria conta do público esperado. São quantas pessoas na base da organização de um evento para 50.000 pessoas?

Zé e eu não vivemos o evento do mesmo jeito. E mesmo assim podemos achar tudo ótimo. Ou uma droga. Zé pode ter visto o show da sua vida, e comentar sobre isso por todos os próximos anos. E eu, apesar de ter sido tratada como da realeza, vou esquecer dos shows, porque nem era tão fã assim… Ou não.

Porque o que eu quero aqui, escrevendo tudo isso, é perguntar o que você tem feito para que o se público consumidor experimente o seu melhor? O que você tem feito para acender o brilho no olhar de quem te vê? Quais as experiências que a sua marca pode proporcionar? Como você destaca isso? E não pense que basta seduzir e envolver seu consumidor: como você mantém a chama acesa? Porque é também sobre isso o que falamos: relacionamentos.

Author: Bia Quadros

Curiosa por natureza, publicitária por formação, mutante por opção.

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1 Comment

  1. Você me ajudou a pensar num jeito melhor de explicar por que sempre critico ações de marketing com blogueiros!

    Elas seguem o mesmo padrão pré-internet de comunicação poucos/muitos em vez de abraçar a comunicação muitos/muitos.

    É uma forma de tratar a Internet como a TV ou o Jornal, mas os “formadores de opinião” da Internet todos juntos talvez não atinjam sequer uma pequena parcela do público atingido por um jornal desprezado de um canal de TV que ninguém assiste.

    Nada contra fazer a ação com blogueiros desde que a empresa esteja ciente do que está fazendo e que ela entenda o que você disse, que o essencial é que ela saiba “acender o brilho no olhar de quem te vê”

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